Nunca fui muito fã de livros de gestão por vários motivos que vão desde: quem sabe faz quem não sabe ensina. Mais ou menos como os investimentos em bolsa e os respectivos livros em que teço considerações em: http://oqueeuandoaler.blogspot.com/2009/11/os-meus-livros-preferidos-para-investir.html
Depois como muito dos exemplos apresentados no livro a gestão e esta coisa da tomada de decisões tem sempre o seu quê de sorte. A comprová-lo temos por exemplo os casos apresentados no livro como casos de bom para óptimo e que desde a publicação do livro foram á falência. Para mim a carreira, a gestão das empresa o desporto e muitas das coisas na vida têm efectivamente um grande componente de sorte. Citando dois exemplos o poker e o Golfe. Sem sombra de dúvida que quem é bom é bom e só mesmo com sorte é que quem é mau ganha a quem é bom. Mas num mundo como o de hoje em dia, com o nível de competitividade que há, com a informação que temos e com os meios que temos. Em quase todos os sectores os bons não estão sozinhos, Estão quase sempre acompanhados por muito outros bons. No póquer num campeonato de bons todos sabem as mesmas regras e quase todos dominam os mesmos truques. O que acaba por fazer a diferença é a sorte com as cartas que vêm para a mão. Posso citar vários exemplos em que sim são bons mas obviamente tiveram sorte nas jogadas. Sim o póquer não é um grande exemplo. No atletismo por exemplo a sorte já praticamente não se verifica. Sim mas no atletismo já vamos para outro campo que é o do talento/capacidade física. Muito provavelmente quase todos os atletas de alta competição têm treinos esforçados e semelhantes no entanto em todas as épocas há sempre um atleta que não dá hipóteses á concorrência muitas vezes até com menos esforço. Simplesmente porque têm muito mais talento. Talento que nasceu com eles, vários exemplos: Michael Phelps; Lance Amstrong; Sergei Buka; Bolt etc. Temos depois casos como o Golfe (de que sou praticante) e mais uma vez falando de atletas do mais alto nível (em que eu não me incluo ) todos podem gastar imensas horas a treinar os seus movimentos no entanto o local exacto em que o taco bate na bola assim como o local exacto onde a bola bate na relva isso tem uma enorme factor sorte.
Claro está numas actividades o factor sorte tem mais importância do que noutras. No entanto em qualquer uma delas é quase sempre os mais bem preparados e por regra um dos que melhor trabalha que acaba por a dominar. E foi com esse intuito que eu li este livro. No mínimo para ficar tão bem preparado como os melhores, para poder enriquecer e melhorar as equipas em que estiver incluído, optimizar as performances e como diz o livro ajudar a roda a ganhar inércia.
O livro debruça-se sobre quais as diferenças entre as empresas excelentes e as outras. Para tal recolheram imensa informação e compilaram-na num verdadeiro trabalho de equipa conduzido pelo autor Jim Collins para sustentarem a suas conclusões de como obter resultados fantásticos em empresas excelentes.
Principais conclusões do livro:
a. Na maioria dos casos (10 em 11) os CEO vieram de dentro da empresa. Estes exemplos deitam por terra a teoria do salvador da pátria que vem de fora abana a empresa de alto a baixo, e a partir dai foi tudo uma mar de rosas.
b. A estratégia por si não justifica os bons resultados das empresas excelentes em comparação com as outras.
c. As empresas excelentes focam-se não só no que fazer, como no que não fazer. E mesmo no que deixar de fazer.
d. A tecnologia não transforma uma companhia boa em excelente no entanto quando bem aplicada pode acelerar o processo.
e. As aquisições e as fusões não transformam empresas medíocres em empresas excelentes. Pelo contrário muitas vezes tornam boas companhias em medíocres
f. Empresas excelentes dão pouca atenção á motivação das pessoas, na maior parte dos casos a motivação surge como um processo normal
g. As transformações de empresas boas em excelentes não ocorreram com o lançamento de novos programas com polpa e circunstância. O foco foram os resultados e não um processo revolucionário.
h. A excelência não é função das circunstâncias mas sim uma escolha consciente.
i. Todas as companhias boas-para-optimo tinham liderança de nível 5 aquando da altura da transição em que Nível 1 é Individuo altamente capaz, Nível 2 é um membro de equipa muito participativo, Nível 3 é um gestor capaz, Nível 4 Líder eficiente e Líder 5 é alguém que constrói um óptimo duradouro por meio de uma mistura paradoxal de humildade pessoal e determinação profissional
j. Os líderes de Nível 5 apresentavam uma enorme modéstia e compreensão. Por comparação 2 terços das empresas em comparação tinham lideres com enormes egos que na maior parte dos caso contribuíram para a mediocridade da empresa que subjugaram aos seus enormes egos e noutros casos de tão bons que eram deixaram as empresas órfãs quando as abandonaram.
k. Lideres de nível 5 fanaticamente direccionados para a produção de resultados sustentados. Eles estão dispostos a tudo para que as suas empresas atinjam o óptimo independentemente da grandeza e da dureza das decisões necessárias.
l. Antes de responder “o quê” das questões de visão e estratégias devemos responder “com quem” e “quem” são as pessoas correctas a trazer para a equipa.
m. Enquanto as empresas de comparação recorreram varias vezes a despedimentos colectivos, Nas empresas Boas-para-Excelente são raros os recursos a despedimentos e reestruturações por forma a melhorara a performance.
n. Os Lideres de bom para óptimo são pessoas de debate vigoroso em procura das melhores respostas
o. Não há nenhuma relação entre os vencimentos dos gestores e as alterações de bom para óptimo. Os vencimentos não servem para motivar as pessoas erradas mas sim para conseguir e manter as pessoas certas nos lugares certos.
p. A velha máxima: “As pessoas são o teu activo mais importante “ não está correcta. As pessoas não são o activo mais importante mas sim as pessoas certas.
q. Ser a pessoa certa tem mais a ver com carácter e características inatas que com conhecimentos específicos, capacidades e experiência.
r. O conceito Ouriço consiste na perfeita compreensão acerca da intercepção dos 3 círculos:
a. Aquilo em que podemos ser o melhor do mundo (igualmente importante aquilo em que não podemos ser)
b. Aquilo que faz funcionar o motor económico
c. Aquilo pelo qual temos uma paixão profunda
s. Ser a pessoa certa tem mais a ver com carácter e características inatas que com conhecimentos específicos, capacidades e experiência.
t. Descobrir os valores centrais da empresa para alem de fazer dinheiro e combinar a criação de riqueza com a dinâmica de preservação desses valores, estimulando o progresso.
u. As empresas boas para excelentes existem para alem da simples pretensão em criar riqueza para os accionistas. Nas verdadeiras empresas de excelência os lucros e o cash flow são essenciais á sua existência mas não são a única razão de existirem.
Estes mandamentos sem os exemplos práticos dos livros são difíceis de aceitar, e em alguns casos mesmo com os exemplos práticos dos livros continuam a sê-lo. Eu próprio discordo de alguns conceitos e conheço contra exemplos. Mesmo aceitando que efectivamente não se tratam de empresas excelentes (os contra exemplos) são empresas muito boas e quem dera a muitas outras serem metade de tão boas. Para alem de que apesar de não terem atingido o óptimo, provavelmente o bom que atingiram é o melhor possível, e ou era aquilo, ou algo menos ou mesmo nada.
Fica aqui por isso a explicação de óptimo para o autor. Uma empresa óptima é uma empresa cujos resultados deram um salto de bom para óptimo e mantiveram-no durante pelo menos 15 anos. Os casos escolhidos de passagem de bom para óptimo no estudo alcançaram resultados extraordinários, com rendimentos accionistas acumulados de 6,9 vezes superiores aos do mercado geral nos 15 anos que se seguiram á sua transição. Para se ter uma ideia do que estamos a falar a GE superou o mercado em 2,8 vezes ao longo de 15 anos entre 1985 e 2000.
Considerações pessoais relativamente ao livro: Recorrendo ao exemplo da tecnologia apresentado no livro. Nenhuma das empresas de Bom para óptimo é uma empresa tecnológica, muitas porque á data do estudo ainda não existiam outras porque ainda não tinham a longevidade que o estudo exige. Muito dificilmente uma empresa tecnológica consegue cumprir os critérios do livro, logo pelo simples facto de que a vantagem económica que uma tecnologia representa muitas vezes é difícil de manter durante um longo período de tempo. O que fazer quando se está numa empresa tecnológica abandonar a tecnologia e desistir. Abandonar o livro e dizer que de nada serve? Na minha opinião deve-se aproveitar o livro nos pontos em que se pode aplicar os seus conceitos. Ex.: Os Lideres de bom para óptimo são pessoas de debate vigoroso em procura das melhores respostas. Este ponto pode ser aplicado em qualquer empresa, em qualquer tipo de negócio.
Outro exemplo: Ser a pessoa certa tem mais a ver com carácter e características inatas que com conhecimentos específicos, capacidades e experiência. Concordo em absoluto com este ponto de vista. A experiência é uma questão menor na maioria dos casos. Na política começa logo por ser uma visão antidemocrática pois segundo este ponto de vista deveríamos perpetuar no poder sempre a mesma pessoa. Depois todas as pessoas experientes já o não foram, e só teremos pessoas experientes depois de lhe darmos a possibilidade de adquirir experiência. Agora como é óbvio numa equipa não haver ninguém com experiência na matéria é obviamente inquestionável. O que seria de uma equipa medica sem pessoas experientes. E se a equipa for constituída por um único elemento e esse elemento não tiver experiência. Conhecimentos específicos, é sem a menor duvida o problema mais fácil de ultrapassar pois no mundo actual há sempre alguém capaz de nos transmitir esse conhecimento e algum meio e local de o obter. Já o carácter e outras características inatas são isso mesmo inatas ou se tem ou não se tem. É isso que faz as pessoas insubstituíveis. Costuma-se dizer que de insubstituíveis está o cemitério cheio – subentendendo-se que as pessoas morrem e o mundo e as organizações continuam. É dos dizeres populares o que mais discordo. Há pessoas únicas e a história é feita delas. O que seria da Microsoft sem o Bill Gates, o que seria da Apple sem o Steve Jobs, o que foi o Benfica com e sem o Eusébio, O que é a Ferrari depois do Michael Scumaker, onde estão todos aqueles ciclistas bons que tiveram o azar de o ser na mesma altura que o Amstrong também foi bom. O que seria os EUA e o mundo sem o Bill Clinton. O que seria de Portugal com lideres que fizessem da justiça o que ela deveria ser; justa e eficaz. Retirando os chicos espertos dos centros de decisão e deixarem chegar lá as elites, os melhores.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
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